Sentada em minha cama lia aquele tal livro enquanto escutava qualquer coisa que me tirasse a atenção necessária para entender a história que já não parecia mais tão interessante. Então, estranhei uma formiga, não sei se morrendo, não sei se apenas perdida…Tentava levantar voo sem maiores realizações, andava, empinava, subia na caixa de sapato e no balde de carimbos da minha irmã, passava pelo cadarço do tênis, exausta batia com força as pequenas asas e se contorcia inteira na tentativa de reaprender o que sempre fez, na tentativa de relembrar ao corpo o que deveria ser feito.
Imaginei o que estaria pensando (Teria esta capacidade?), imaginei sua frustração por talvez não ser mais a mesma criatura, seu desepero por perder a conexão corpo-mente. Observei até perceber que já não se mexia o ínfimo ser que a pouco percorrera enlouquecidamente o chão do quarto desta casa que jamais foi tão menos minha como naquele instante. Fui até ela e soprei, estafada, moveu-se, não saiu do lugar. Estaria recuperando forças para seguir com seu ensaio desajeitado, descordenado ou simplesmente esperando pelo…Não se sabe pelo o quê.
Poderia quem sabe eliminar as asas ou apenas desdobrá-las (se estivessem dobradas), me compadeci de sua luta, mas obviamente não seria possível tomar parte da situação…Ou seria? Mantive-me na inércia de espectador como em todas as outras vezes.Projeto de , quem sabe, futura bióloga não fazia a menor ideia do que acontecia com a formiga e por mais fortes que fossem meus ímpetos de ajudá-la em um momento de lúcida indiferença e sensatez,animalizei-me paradoxalmente diante da humanização do inseto e abandonei minha condição de ser “superior”, deixei que a natureza agisse, retomei a atividade interrompida.
Impossível não comparar circunstâncias ditas humanas com a agonia daquele indivíduo: Tantas vezes lutamos extintivamente em vão para mudar o curso de cada acontecimento quando na verdade devemos somente esperar pelo fim,se nada mais pode ser feito, ou recuperar forças e seguir com as ideias em ordem, sem nenhuma resposta, conclusão ou sentido para a vida. Afinal não existe nada além de esperança movida por questionamentos ilusórios por sua vez alimentados de mundos paralelos e deuses bicéfalos.
Antes que terminasse a leitura,minha companheira de insônia voltou à sua jornada, caminhando aparentemente sem destino pelos cantos da casa com suas asas abertas dando broncos saltinhos frustrados seguiu sendo o que deve ser. Finalizei meus pensamentos sobre tantos outros pensamentos e retornei ao livro ,vivendo dentro da ignorância de todos nós: sem resoluções,unicamente fazendo o que deve ser feito, tão perdida quanto a formiga na madrugada impossibilitada de voar… Espero que, diante de nossas familiaridades, semelhanças, coincidências, ao menos passemos por mais esta fase, eu e a formiga.
Karu
Hey, mulher, primeira vez que realmente vejo André Frateschi, fiquei com aquele “eu conheço de algum lugar” e vi que ele é ator também… novelinha e tudo(rs). É filho de dois atores conhecidos. Momento tia : menina, ele parece muito com os dois, é possível enxergar o pai e a mãe …rsrsrs Canta muito bem XDD
Tudo isso pq sábado tem show da Miranda e não vou poder assistir…rsrs
